Guilherme Balista

Oriundi: Memórias entre dois continentes

A diversidade cultural do povo brasileiro é diretamente relacionada ao fenômeno migratório: em sua história, por várias razões político-geográficas, estrangeiros desembarcaram no Brasil em busca de melhores condições de vida. Entre 1884 e 1959, houve uma maciça emigração italiana. As plantações de café prosperavam e necessitavam cada vez mais de mão de obra em quantidade superior à existente. A população era no geral demasiada pequena, para um território muito grande. Ademais, a vinda de trabalhadores assalariada, assim se esperava, proporcionaria desenvolvimento às cidades e ao comércio, a geração de serviços de infraestrutura, com crescimento para o país. Pouco antes, o Reino de Itália havia passado pelas guerras de unificação. Com o fim destas, sua economia encontrava-se debilitada, com altas taxas de crescimento demográfico e desemprego. Foi em tal contexto que ocorreu a chamada “grande imigração”. Somente na cidade de São Paulo, que tem cerca de 11 milhões de habitantes, quase 6 milhões têm origem italiana, ou seja, 55% da população local. Para se ter uma ideia, é interessante comparar com a maior cidade da Itália – Roma, que hoje conta com aproximadamente 3,8 milhões de pessoas, ou seja, menos italianos que a cidade sul-americana.

Os italianos nascidos fora da Itália são chamados oriundi (oriundos; em português). Entre eles estão filhos, netos, bisnetos, trinetos, etc., de imigrantes e são jure cidadãos, baseado no conceito jus sanguinis (direito de sangue), em que todos aqueles que têm origem italiana são igualmente italianos natos, assim como os nascidos em território italiano. No Novo Mundo contrasta-se então com o jus soli (lei do solo) da América. O Brasil abriu seus braços aos imigrantes e os imigrantes, por sua vez, conseguiram sobreviver em sua nova pátria. A relação entre italianos e brasileiros foi importante para ambos e juntos contribuíram a fazer do país uma grande nação.

Através deste livro, Guilherme Balista compartilha relatos da sua história de família. Reuniu fragmentos e informações presentes nos “baús” da memória de seus familiares e que escuta desde a infância. Ercolano Gerolamo Ballista e Maria Luigia Frego atravessaram o oceano em busca de melhor qualidade de vida, realizar o sonho de “fazer a América” e como muitos outros italianos, foram trabalhar na agricultura. São detalhes tão ricos que não podem ser perdidos. As lembranças de sua família são traduzidas nesta obra e transforma-se, assim, em patrimônio que agrega valor a cada um de seus componentes e, em geral, a todos os italianos e oriundos.